segunda-feira, 14 de maio de 2018



Publicado na Renova Mídia em 10/05/2018

Ainda o caso Neon

Do mesmo modo que é desaconselhável colocar o próprio nome numa micro ou pequena empresa, também não é lá muito inteligente adotar o nome fantasia de seu parceiro comercial. Ou emprestar o seu.
Embora haja controvérsias sobre isso, o recente caso envolvendo o Banco Neon e a Neon Pagamentos é um perfeito exemplo dessa afirmação.

              Os protagonistas desse imbróglio: um Banco e uma fintech

Banco: em linhas gerais é uma instituição financeira que administra o dinheiro que seus clientes deixam em sua custódia, e que utiliza este dinheiro para emprestar a outros indivíduos ou empresas aplicando-lhes juros.
Fintech: Fintech é um termo que surgiu da junção das palavras financial (financeiro) e technology (tecnologia). São empresas jovens que desenvolvem e usam aplicativos para trazer agilidade, comodidade e segurança aos seus clientes.
Elas atuam em determinados nichos de mercado e por ex.: cartões de crédito, investimento, seguros, etc. a maioria delas não possui agência física e prestam seus serviços e resolvem questões basicamente por meios eletrônicos (smartphones, PC´s).
No Mercado Financeiro, as fintechs se especializam em nichos determinados proporcionando um diferencial que um banco, pelo seu tamanho e bur(r)ocracia não consegue competir.
O uso da tecnologia elimina o envio de documentos, filas de espera enormes, correspondência física – extrato, cartas, contratos, etc – sendo tudo resolvido via smartphone.
Até assinar contratos!



As startups financeiras nascem alicerçadas na inovação tecnológica, onde podem eliminar custos e procedimentos e oferecer experiencias diferentes e avançadas aos clientes. Elas oferecem uma linha de produtos e serviços limitados mas, em contrapartida, permite a concentração de esforços, serviços de primeira e atendimento de alta qualidade.
Pela inexistência de uma infraestrutura gigantesca (e investimento nisso), elas conseguem oferecer várias soluções: cartão de crédito sem anuidade, conta bancária sem tarifas, empréstimos com juros mais baixos, consultoria individualizada para pequenos e médios investidores entre outros exemplos.




As fintechs seguem requisitos operacionais compatíveis com o seu porte e perfil definidos pelo Banco Central através de portarias e regulamentações próprias.
A maioria das fintechs tem capital proveniente de fundos de investimentos.

Pela resolução 4.657/2018 do Banco Central, as fintechs passam a ser consideradas como instituições financeiras. Anteriormente a essa Resolução, atuavam como correspondentes bancários e eram associadas de alguma forma a um Banco.

Simplificando: os Fintechs estão para os Bancos assim como o Spotify está para a música, a Uber está para os motoristas de carros, a Netflix está para os filmes, a 99 Taxis para os taxis.
Se vc utiliza todos esses serviços usando o celular, porque não fazer o mesmo com o seu dinheiro?


Neon Pagamentos e Banco Neon

                                                                                                                                                                 
Fundada com o nome de Controly, a Neon Pagamentos se associou em 2016 com o Banco Pottencial de MG que a partir de então passou a se chamar Banco Neon.
Duas empresas afins, mas com controles e personalidades jurídicas diferentes.
Com a intervenção decretada pelo BC na semana passada – 04/04/2018 – houve um desconforto geral no Mercado de Meios de Pagamentos.
Afinal é confiável ou não trabalhar com uma fintech?
Essa foi a questão que ficou em aberto até hoje, 08/04/18.

Cinco dias terríveis para a Neon Pagamentos
 
As decisões rápidas e estratégicas de Pedro Conrade, fundador e CEO da Neon acalmaram o Mercado e, antes mesmo que o mal-estar se propagasse, é anunciada a parceria com o Banco Votorantim que passa a ser o novo liquidante das operações da Neon ficando responsável pelos serviços de custódia e movimentação das contas de pagamentos.



Conheça aqui um pouco da estória de Pedro Conrade, um jovem de 26 anos que deu os primeiros passos revendendo biquínis e depois, com raiva de um banco por uma taxa de 46 reais, idealizou a Neon Pagamentos.



A Associação Brasileira de Fintechs endossou as declarações de Conrade, tranquilizando o Mercado. Os 72 milhões levantados pela Neon Pagamentos junto a investidores um dia antes da intervenção no Banco Neon, também tiveram influência decisiva na idoneidade da Empresa e da capacidade do seu CEO.
Este aporte foi amplamente veiculado na imprensa como sendo no “Banco Neon” e causou a confusão inicial, haja visto a similaridade dos nomes.
Os investidores Propel Ventures, Monashees, Quona, Omydiar Network, Tera Capital, e a Yellow Ventures foram os responsáveis pela injeção dos 72M na Neon Pagamentos.
Já no Banco Neon — controlado por Argeu de Lima Geo, Carlos Geo Quick e João de Lima Geo Filho — o BC informou que foi constatado “o comprometimento da situação econômico-financeira, bem como a existência de graves violações às normas legais e regulamentares que disciplinam a atividade da instituição.”
Pelas regras, o BC não detalhou as irregularidades encontradas alegando sigilo bancário.

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