Publicado em Renova Mídia 13/05/2018
Brasil entra na era de Minority Report.
Ou Person of Interest ?

Reconhecimento
facial em tempo real começa a ser demonstrado no País
A tecnologia de reconhecimento
facial em tempo real começa a ser demonstrada no Brasil. A Gemalto é uma das
empresas que aposta na adoção desse tipo de solução no País, especialmente por
parte de bancos e de órgãos de segurança pública. É esperado para um futuro
próximo o lançamento de editais de departamentos da polícia civil prevendo a
contratação desse tipo de serviço, informa Ricardo Abboud, gerente de marketing
da Gemalto na América Latina, e um dos responsáveis pela realização de
demonstrações com a tecnologia no mercado nacional.
A polícia de Londres já
utiliza essa tecnologia. E é notório o caso chinês, onde o governo monitora e
identifica a população através de milhares de câmeras em locais públicos. No
Brasil, essa tecnologia está engatinhando.
A solução da Gemalto é
capaz de identificar até 300 rostos em um único quadro. A velocidade e a
precisão do reconhecimento, contudo, dependem de uma série de fatores, como a
resolução da câmera, a iluminação do ambiente, a velocidade de conexão com o
servidor onde está armazenado o banco de dados, e a quantidade de rostos
cadastrados para serem comparados. "O sistema é tão bom quanto for a
qualidade do cadastro. Em condições ideais, como em fotos de passaporte, o
índice de acerto é de 99,4%", diz Marcos Araújo, consultor técnico da
empresa.
Um dos parâmetros é a
distância entre os olhos. O ideal é ter pelo menos 90 pixels, mas a Gemalto
consegue fazer uma identificação a partir de uma imagem com apenas 25 pixels de
distância entre os olhos, embora com precisão menor.
Tecnologia de biometria da face já está sendo utilizada com sucesso em vários
países
Durante a UEFA Champions League, no Estádio Nacional de Gales, onde
estavam reunidos cerca de 170 mil torcedores, a tecnologia foi usada para
monitoramento CCTV, em tempo real, de imagens estáticas e pesquisa de vídeo
gravado, garantindo a capacidade de vigilância para localizar pessoas de
interesse em listas de vigilância pré-determinadas, incluindo criminosos,
suspeitos, indivíduos vulneráveis e pessoas desaparecidas.
Na oportunidade,
foi detido um homem que era procurado pela polícia e havia passado por vários
policiais em uma rua principal da cidade, antes de ser identificado pelas
câmeras.
Casos de uso
Os casos de uso são
variados. O mais óbvio é na área de segurança: identificar criminosos
cadastrados pela polícia. Em estádios de futebol, por exemplo, seria possível
garantir que torcedores banidos não entrem. Outra possível utilização é para a
melhoria do atendimento: um banco poderia identificar a entrada de um cliente
VIP na sua agência em tempo real, deslocando imediatamente alguém para
recebê-lo antes mesmo que o correntista pedisse.
O sistema da Gemalto se
chama LFIS (Live Face Identification System) e pode ser configurado para gerar
alertas para os celulares de agentes de segurança ou qualquer outra pessoa
pré-definida. Os alertas podem chegar via notificação em um app móvel da
própria solução ou por meio de outros canais, como email ou aplicativos de
mensageria.
Combinação
com Impressão Digital
O governo do estado de
São Paulo utiliza essa solução desde 2013 na emissão de RGs, cadastrando as
digitais de todos os dez dedos das mãos. Cerca de 22 milhões de pessoas já se
cadastraram dessa forma no estado. Em cinco anos de utilização, a polícia
paulista já identificou 4 mil pessoas envolvidas em cenas de crime através
dessa tecnologia.
O sistema pode ser usado
por policiais em campo, com scanners portáteis de digital, conectados a
smartphones, mas esse tipo de utilização móvel ainda não foi implementado no
Brasil, somente no exterior, por enquanto, diz Abboud.


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